Século Passado:
Estava a ouvir uma conversa da minha Mãe com os meus Irmãos, sobre o Pai deles. Não me lembro há quanto tempo foi exactamente, mas sei que era bem miúda... também não me lembro exactamente sobre que era, mas lembro-me que a minha Irmã estava irritada pelo facto da minha Mãe estar a ser tão permissiva/compreensiva com uma atitude do ex-marido. Não estavam a discutir, estavam a conversar. Até que a minha Mãe disse, a primeira de muitas vezes que acabei por ouvir esta frase, "nós nunca deixamos de amar as pessoas que já amámos, um dia vão perceber".
Lembro-me de não ter percebido e de ter ficado muito zangada. "Mas a Mamã ama o Papá e o pai da Rita e do Ricardo também?" Na minha cabeça, era uma grande afronta o que a minha Mãe tinha acabado de dizer, possívelmente pelo sentimento de protecção e de posse pelo meu Pai. "A Mamã só pode amar o Papá!".
Nunca disse nada, nunca fui de confrontar, sabia que um dia havia de perceber.
E percebi, mais tarde. Percebi-te, Mamã. Por nada de especial, mas um dia, nos meus pensamentos, por alguma coisa que devo ter visto, alguma conversa com alguém, algum filme, percebi-te. E também não disse nada. Eu sabia que um dia havia de perceber.
Recentemente acabei por sentir. Não no sentido tão profundo de amar alguém, mas ainda assim fiz a associação e lembrei-me de ti.
"Um dia vão perceber..."
Minha adorada.
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